A campanha de Call of Duty: Infinite Warfare é um retorno à velha forma para a franquia

Talvez nenhum jogo tenha sido tão injustiçado nos últimos anos quanto Call of Duty: Infinite Warfare, cujo trailer hoje é o segundo vídeo com mais dislikes na história do Youtube – atrás apenas do clipe de “Baby” do Justin Bieber. A princípio, a reação é compreensível. A franquia está em pleno cansaço após 11 anos de lançamentos anuais ininterruptos e já são 5 jogos seguidos com a mesma polêmica estética futurista, que contradiz em muito a tradição da série e fez o fato de Battlefield 1 se passar na Primeira Guerra Mundial parecer um sopro de ar fresco no gênero dos FPSs.

Mas aí é que está o problema. A setting de Infinite Warfare é tão refrescante para COD quanto a Primeira Guerra é para Battlefield. Esse não é mais um jogo que se passa num futuro distante, é um Call of Duty totalmente de ficção científica. Após 4 jogos de preparação, finalmente chegamos lá: Guerra espacial. E o resultado final é glorioso.

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A história se passa em meio a uma guerra civil entre terráqueos e seus irmãos colonizadores de Marte, que após gerações no planeta vermelho cresceram totalmente desconectados à sua cultura original. Cansados de serem vistos como uma simples colônia, os marcianos se radicalizaram e se organizaram na SDF (Settlement Defense Front), uma facção autoritária, sanguinária e terrorista, cuja única missão é erradicar qualquer influência terráquea do universo. Um ataque surpresa à frota da Terra em Genebra, durante um dia de comemorações dá início ao conflito pela supremacia no sistema solar.

Cada segundo, cada pixel do jogo transbordam de amor e carinho dos desenvolvedores pela história que estavam contando. Dá pra sentir a felicidade quase infantil da equipe da Infinity Ward em poder finalmente levar os seus brinquedos para o espaço. A campanha do jogo é uma carta de amor a todos os clássicos do gênero, seja no cinema ou nos games, de Aliens a Halo, de Mass Effect a Star Trek, Infinite Warfare é capaz de fazer qualquer fã de exploração espacial e space porn se sentir como uma criança.

Os ambientes são fantásticos, do casco de um destróier gigante à uma mina num asteróide próximo ao sol, IW brinca com todos os ambientes que o nosso sistema solar tem a oferecer. O ritmo mais lento do jogo, com muitas missões focadas em stealth – a la Modern Warfare – ajuda permitindo ao jogador inspirar todos os detalhes da direção de arte. Muitas vezes, a exposição é feita visualmente, sem explicitar a emoção que o jogador deve sentir ao adentrar cada ambiente, dando uma natureza orgânica à narrativa.

O resultado final de Infinite Warfare deixa bem óbvio como as imagens mostradas naquele infame primeiro trailer deviam ser da build pré-pré-pré-alpha do jogo (a cena da invasão, mostrada no trailer, é completamente diferente no jogo final). Os gráficos foram melhorados a um ponto em que eu posso dizer com confiança que COD: IW é um dos jogos mais bonitos dessa geração. A iluminação e efeitos de ambiente são extremamente consistentes, dando vida e história a cada ambiente do jogo. De novo, só prova o amor com o qual o game foi feito.

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Os personagens são os mais bem desenvolvidos e simpáticos da franquia desde Soap, Captain Price e cia na trilogia Modern Warfare. O protagonista Capitão Reyes é competente em demonstrar motivação sem se sobressair às emoções do próprio jogador, agindo mais como um avatar do que um personagem em si. Enquanto você não se sente tão próximo ao seu boneco quanto se sente em Mass Effect, a tripulação que o acompanha na Retribution me fez lembrar os bons tempos da BioWare. Você se importa com seus companheiros e tê-los lhe acompanhando nas missões traz um legítimo sentimento de companheirismo.

O defeito fatal de Infinite Warfare é não ousar ir mais longe, mais fundo em seus personagens. Em momento algum as pessoas ao seu redor roubam a atenção do tiroteio e da ação, e isso é um ponto negativo. O jogo te leva até a se importar com alguns personagens, mas não desenvolve essa emoção, mantendo uma distância quase que fria do aspecto humano da história, exceto na missão final.

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No gameplay, o que mais me surpreendeu foi o combate aero-espacial. São batalhas envolvendo dezenas de caças-espaciais e destróieres gigantes em órbita e na superfície de diversos corpos astrais diferentes, da Lua a Vênus. Você tem controle total da nave dentro de uma área pré-designada e o combate aéreo é emocionante e divertido, apesar dos controles não serem tão intuitivos quanto os de Star Wars: Battlefront. É uma pena não terem incluído um modo assim no multiplayer do jogo.

O jogo é curto, com apenas 7 missões principais e uma dezena de side-missions, mas o tamanho ajuda a conter os excessos característicos da franquia. A duração curta e a ação mais comedida fazem de Infinite Warfare o primeiro COD em anos que não te leva à total overdose de explosões e cenas de ação cinematográficas. É uma sólida aventura espacial capaz de satisfazer o fã de sci-fi mais exigente, seu único problema é não ser… mais. Um foco ainda maior nos personagens poderia facilmente eleva-lo ao patamar de Modern Warfare e Modern Warfare 2, mas, por enquanto, IW fica bem ali, logo abaixo dos dois.

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NOTA: Essa review tratou apenas da campanha singleplayer de Call of Duty: Infinite Warfare. Não foi levado em conta o modo multiplayer nem o Zombies.

Complexo
Fundador e editor-chefe do Lolygon.
CONTATO: complexo@lolygon.moe