Line Walker: Uma bola de neve de clichês

Fundo Branco

Resultado da adaptação para a tela grande de um seriado de televisão chinês, Line Walker, comete todas as faltas imperdoáveis em um jogo de cinema e pouco tem a contribuir como recurso audiovisual. Se alguém espera algo além de um filme de ação medíocre, cheio de furos no roteiro, personagens de passagem e pouca técnica de filmagem, este alguém pode parar de ler o texto por aqui. Aos que permanecem…vamos lá.

Durante o primeiro e segundo atos, o filme se inclina tão fortemente em uma tentativa de comédia (que nunca funciona) que fica difícil dar alguma confiança ao mesmo. A estória vai mais ou menos assim: detalhes de policiais undercover são apagados de uma base de dados da polícia e após uma série de mensagens crípticas, um oficial sênior junto a outros monta uma equipe de investigação e tenta descobrir quem são os oficiais infiltrados e quem são os criminosos.

A ação que deveria ser o ponto forte não satisfaz e da maneira como é filmada tira toda a emoção em tudo. Apesar de incluir nomes importantes do cinema de Hong Kong, o roteiro e ritmo são deficientes. Não há uma sequência de perseguição que consiga transmitir qualquer sensação de velocidade ou tensão, culpa da edição horrenda e da quantidade de plot-twists e slow-mos empregados. A tensão vem principalmente dos personagens conversando, com destaque para os diálogos entre os personagens de Nick Cheung and Louis Koo, mas que se apoiando em piadas fraquíssimas pouco colaboram na conta final. Cheung é um ator melhor do que Louis Koo, o que cria um desequilíbrio durante alguns dos seus intensos enfrentamentos, mas os dois estão em pé de igualdade se levarmos em conta todo o longa.

Nesta bola de neve de erros, há algo que pode chamar a atenção. A equipe filmou no Brasil e por incrível que pareça, as sequências que passam nos morros, favelas e em um estádio da cidade do Rio de Janeiro , apesar de plásticas, são melhores do que aquela caricatura que a série Velozes e Furiosos propôs. E os personagens que se apresentam falam todo o português informal, nada de espanhol. Aliás, as primeiras cenas do filme são tomadas aéreas da capital fluminense! Além do Brasil, a ação ocorre obviamente na China. É estranho pois há uma diferença gritante entre as porções do Rio e as filmadas na China. Elas não se encaixam de maneira integral com as cenas de Hong Kong em termos de direção artística e tom.

A impressão é que o filme tenta emular Infernal Affairs com uma trama internacional mas falha miseravelmente. O produto final é muito inconsistente e incompleto. Apesar de ter uma fonte original, a série de televisão, ela é pouco explorada. Não há espaço para arcos de personagens e grande parte deles são descartáveis. O roteiro tem inúmeros buracos, o final é truncado e não fornece uma resolução adequada e a estória basicamente alterna entre sequências de ação abruptamente cortadas e confrontos verbais onde alguém acusa o outro de ser um undercover ou vice-versa.

O diretor Jazz Boon deveria se restringir a seus videoclipes e seriados de tevê onde obtém resultados mais palpáveis. Parece cada vez mais difícil a magia do cinema de Hong Kong retornar. Aquela que incomodou o mundo no início dos anos 2000 e não consegue um comeback decente. Há exceções, filmes de referência, mas o núcleo de Hong Kong não acompanha seus concorrentes faz tempo! Veja o trailer

J.J. Mann
No Loly, cobre cinema asiático com ênfase na Coréia. É também um super entusiasta da história do país, com uma obsessão que vai um pouco longe demais. No Twitter, é responsável pelo perfil de paródia do eterno líder, Kim il-Sung. 언플장난아니야!