Tracer lésbica, Blizzard e a ilusão da coragem

Fundo Branco

A Blizzard revelou, através do último webcomic de Overwatch, que a Tracer – personagem símbolo do jogo, a mais usada em peças de publicidade e que adorna a capa do game – é lésbica, seguindo declarações feitas na Blizzcon desse ano de que eles iam revelar num futuro próximo que um dos heróis do elenco era gay.

Sites progressistas como Slate, Buzzfeed, Salon, Vox e os “especializados” Kotaku, Polygon e Destructoid com certeza irão salivar sobre o logo da Blizzard, cantando uma hipotética “coragem pioneira” na indústria dos games, enquanto os chatinhos de plantão nas redes sociais acusarão todos os críticos do anúncio de serem homofóbicos.

Segue o roteiro, é apenas mais uma terça-feira normal na era da agenda progressiva na indústria do entretenimento. Literalmente.

Ainda bem que existe este site na internet pra poder dizer o quão mesquinha, covarde e manipulativa é a dona Blizzard. Coragem é o caralho. Revelar a homossexualidade da personagem-mascote do jogo, 7 meses depois do lançamento – quanto tal informação não causará polêmica que pode prejudicar as vendas – não é coragem, é no máximo uma pegadinha do Mallandro.

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É mais um caso de empresas subvertendo seus personagens pra se alinharem à agenda em voga, nada diferente de uma JUST KIDDING ROWLING e seu Dumbledore gay ou Hermione negra. Se a Blizzard tivesse confiança mesmo em ter uma personagem gay na capa de um jogo eles teriam revelado isso ano passado, não após o lançamento, quando a Tracer já tem uma base de fãs formada e Overwatch já é um sucesso estrondoso.

E quem devia ficar com mais raiva com isso nem sou eu – pessoalmente acho hiper sexy – mas os ativistas da causa, que preferem agir feito um monte de putinhas e aplaudir ao invés de admitir que uma empresa multibilionária está usando a causa deles para promover o seu produto. Quer ter uma personagem lésbica? Faça-a assim desde o começo. Quer educar o seu público? Faça-os se apaixonar pela personagem gay, ao invés de bancar a Ronaldinho dos games e aplicar um belo de um dibre, transformando a personagem que eles já amavam em lésbica.

O que acabamos tendo é um retrato da relação mesquinha que tomou conta do mundo do entretenimento: imprensa ativista finge não ver hipocrisia pra comemorar mais uma vitória da “diversidade”, enquanto empresa finge comprometimento com a causa pra ganhar boa publicidade da imprensa ativista. Repete em loop infinito.

Complexo
Fundador e editor-chefe do Lolygon.
CONTATO: complexo@lolygon.moe