Crushware: A estética anos 90 do Indigo² da Silicon Graphics

“Design é funcional, arte é emocional”. Mas e quando o design de um produto é capaz de te emocionar?  Esse é o Crushware, a série onde paramos e admiramos os mais belos e apaixonantes hardwares já produzidos.

A defunta Silicon Graphics tem seu nome escrito na história tanto do cinema, com as suas máquinas sendo essenciais nos primórdios da computação gráfica, quanto dos games, ajudando a equipe da Rare a criar os sprites pré-renderizados de Donkey Kong Country e criando o hardware que seria a base para as capacidades 3D do Nintendo 64.

A empresa era especializada em processamento gráfico e super-computadores, com as suas estações de trabalho usadas em estúdios de Hollywood e produtoras de games chegando a custar até US$ 250.000 – imagine PCs com 1 GB de RAM em 1993 e você vai entender o tipo de mercado em que a Silicon Graphics trabalhava.

Mas além do processamento absolutamente ignorante para a época, a empresa também era conhecida pelo design das cases que envolviam seu hardware hiper-avançado. Como o seu principal mercado era o criativo, a SGI trabalhava para que o exterior de seus produtos refletisse toda a imaginação e habilidade artística com que eles eram usados. Anos antes do iMac, os cases já vinham em cores vibrantes que se destacavam por completo em meio ao mar de bege que tomava conta dos computadores da época.

O Indigo² foi lançado em 1992 e possuía um design horizontal simples, mas elegante. As listras na frente e laterais do case lembram o icônico design do PS2, lançado anos depois, a cor turquesa a la Hatsune Miku e a fonte usada na marca “Indigo²” dão à máquina uma aparência inconfundivelmente anos 90, como se ela tivesse nascido dos sonhos de um amante de Vaporwave.

O case não era seguro com nenhum parafuso, podendo ser retirado peça a peça com a simples remoção de uma trava de metal localizada na frente do painel, ao lado do drive óptico.

O Indigo² ganhou uma nova versão ainda mais poderosa em 1995, o Indigo² Impact que, apesar de usar o mesmo case do original, se destacava com uma cor roxa escura. A sua versão mais poderosa, a Impact 10000, era vendida por até 100 mil dólares na época e contava com absurdos 1 GB de RAM.

Juntos, os dois modelos são um puro show de A E S T H E T I C S e ainda podiam ser usados na vertical com o uso de adaptadores inclusos na embalagem – com a cor combinando com cada modelo, é claro -, o que faz o Indigo² parecer ainda mais com o PlayStation 2.

A SGI lançou também o Indy, uma versão mais barata do Indigo², que possuía uma cor similar ao modelo original, mas um pouco mais puxado pro azul.

Com um acabamento estilo granito e botões trangulares, o Indy consegue ter ainda mais cara de anos 90 do que o Indigo².

Enquanto você jamais chegaria perto de uma máquina dessas se não trabalhasse na Industrial Light & Magic em 1994, você pode achar modelos de Indigo² e Indy  hoje em dia por entre US$ 90 e US$ 2.000, dependendo do estado e raridade do modelo, mais frete e imposto por que eu duvido que você encontre um treco desses bolando pelo Brasil, a não ser que ele tenha pertencido a, sei lá, a equipe que animava as vinhetas do Hans Donner na Globo.

A minha dica – e o que eu faria caso tivesse dinheiro sobrando – é comprar um em bom estado, tirar as tripas e tentar montar um PC moderno dentro pra ter a perfeita experiência estética no seu dia-dia.

Se você quer saber mais sobre o Indigo², o Lazy Game Reviews recentemente fez um vídeo demonstrando um Impact 10000 e detalhando um pouco da história do modelo (em inglês).

Complexo
Fundador e editor-chefe do Lolygon.
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