Lições de Games que aprendi em 2016: A “frescura” existe por uma razão

Fundo Branco

É normal nós duvidarmos do conselho alheio à primeira vista, antes de mais nada é sinal de uma mente forte e saudável, que não se deixa levar por qualquer coisa. Mas também é importante reconhecer que certas noções quase que universais existem por uma razão. 2016 foi o ano que eu me rendi a duas afirmações que considerava “frescuras” até descobrir a diferença gigantesca que elas faziam: teclado mecânico e monitor com baixo input lag.

É uma faca de dois gumes. Ao mesmo tempo que afirmações como essas demonstram benefícios óbvios, você também não acredita que realmente valha a pena despejar o triplo de dinheiro em algo que você pode tirar o mesmo uso gastando muito menos. Se você nunca experimentar algo em primeira mão, será sempre difícil se convencer usando apenas a palavra de outra pessoa.

No caso do monitor, o que aconteceu comigo foi gradativo. Em 2016 eu joguei muito jogos de luta, em especial Street Fighter V e 3rd Strike. A FGC é talvez o lugar onde o assunto “baixo input lag” seja mais recorrente, devido à vital importância de cada mísero frame para o resultado final de uma partida. Você constantemente vê os famigerados monitores “gamer” da Benq ou Asus nos torneios e nos setups de jogadores profissionais, ele é uma peça tão essencial quanto o arcade stick, Hitbox ou fightpad de escolha de cada um. Ainda assim, a desconfiança demora a ir embora.

Eu comecei a mudar de opinião graças ao site DisplayLag, que quantifica em números objetivos a diferença de monitor pra monitor, e devido ao infame input lag nativo de 8 frames de Street Fighter V, que acentuava ainda mais a diferença de velocidade entre displays. Cansado de sentir que não tinha tempo pra reagir no jogo, acabei me rendendo e comprando um RL2455HM da Benq, que segundo o DL possui um input lag médio de apenas 10ms.

Bastaram dois ou três botões apertados e um novo mundo se abriu na minha frente. A sensação era de noite e dia. Foi como transar sem camisinha depois de anos sempre usando preservativo.

Hoje em dia eu considero monitor com baixo input lag um item indispensável no meu setup e é algo que me tira o sono enquanto planejo pegar uma TV grande – valeria a pena jogar jogos mais leves nela, abrindo mão da experiência mais confortável no monitor da Benq?

O sucesso com o display abriu a minha mente e logo depois eu fui atrás de destruir a segunda “frescura” mais recorrente dos games – o teclado mecânico. Como alguém que joga FPS no PC e escreve muito, um bom teclado seria um upgrade mais do que bem vindo, então eu meti a cara a pesquisar. No começo, foi intimidante – Cherry MX Red, Blue, Brown, peças chinesas, switch da Razer, build quality… Parecia complicado demais.

Com a ajuda de amigos mais experientes e de um pouco de teimosia, eu cheguei na minha fórmula: Cherry MX original, switch Blue – em que existe um leve “click” audível e sensível ao toque quando você ativa a tecla. Apesar do Red ser o padrão para games, o Blue me interessou mais devido ao gostoso som que ela produz ao ser ativada. Não poupei esforços e peguei um CM Storm QuickFire TK da Cooler Master com Cherry MX Blue.

Novamente, foi uma experiência de mudar a vida. Digitar se tornou não somente mais fácil, como prazeroso. E os benefícios foram quantificáveis – hoje eu sou capaz de escrever um texto desses inteiro rápido e sem cometer um ÚNICO erro de digitação.

A moral da história é: você não é o sabichão, você não é mais esperto do que os outros. É claro que cada um tem a sua disponibilidade financeira, mas sempre vale a pena gastar um pouco mais pela experiência premium, você não se arrepende jamais. Agora resta ver a quais frescuras eu vou aderir em 2017.

Complexo
Fundador e editor-chefe do Lolygon.
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