Pela primeira vez, novo Sentai foi desenvolvido com a ajuda de americanos ligados à série Power Rangers

Enquanto nós arrancamos nossos olhos e amaldiçoamos as gerações futuras e passadas dos responsáveis pelos designs do novo filme de Power Rangers, uma informação surge sobre o novo Super Sentai, e isso pode mudar o futuro da franquia.

Desde Mighty Morphin Power Rangers,  a coisa funcionava assim: TOEI fazia o Sentai pensando apenas no público japonês, como já vinha fazendo desde os anos 60, e os EUA que se virassem pra adaptar numa história coesa e fazer os brinquedos. O que a levou a muitas vezes a dar uma de Glasslite e fazer brinquedos que nunca apareceram nem apareceriam na série, simplesmente pelo fato de que crianças vão comprar qualquer coisa que tenha os personagens que eles gostam. Crashmon, uma espécie de transformer com o logo de Digimon, tá aí pra provar isso.

Claro, vez ou outra acontecia alguma troca de ideias (como uma forma original de SPD que acabou aparecendo num especial de Dekaranger), ou quando a Saban pediu pra TOEI filmar mais cenas pra estender a primeira temporada de Mighty Morphin. Mas fora isso, era muito cada um na sua e a amizade continua.

Pois bem, agora o negócio parece que vai mudar, porque segundo aponta o Gizmodo, a Bandai of America, responsável pelo merchandising de Power Rangers no ocidente, teve participação nas decisões estéticas da série, dando seu palpite sobre uniformes, robôs, armas e dispositivos de transformação – ou seja, tudo que virará brinquedo.

Só o futuro pode nos dizer se isso será uma boa jogada, e o quão isso vai permanecer no DNA das séries. A relação entre TOEI e Saban (e Disney durante um tempo) sempre foi distante, sem nenhum controle criativo de um lado sobre o outro. E o design tipicamente japonês, diferente de qualquer coisa que tínhamos por aqui, misturado ao storytelling ocidental sempre deu a Power Rangers um charme característico, que o diferenciava de qualquer outro grupo de super-heróis que povoava as telinhas dos Estados Unidos e ocidente.

Já é estranho por termos nove integrantes logo de início, que pode sim ser um problema pra narrativa. Mas que vai vender brinquedo pra diabo, ah vai. Digo, eu totalmente consigo entender o motivo de ter uma equipe grande no espaço. Star Trek feelings, precisa mesmo de muita gente. Mas precisa-se também de um escritor habilidoso pra que cada personagem se sinta único e com potencial pra durar a série toda, caso contrário tem-se aquele sentimento de que só tão enfiando personagem pra vender brinquedo. Isso porque ainda não temos informação se haverão outros membros. Se tivermos, vai ser o maior Sentai da História, bem como o roll call mais longo.

Mas a ideia de se basear em constelações é interessante, e visualmente há como fazer uma separação entre os personagens. O plot também tem idéias interessantes (que me lembrou vagamente de Power Rangers RPM); uma organização do mal dominou o universo num futuro distante, e os Kyuranger foram escolhidos pra se transformar e lutar contra a organização. Se envolver histórias estilo Star Trek, pulando de planeta em planeta, podemos ter uma série bastante dinâmica e criativa.

E eu estaria mentindo se dissesse que os uniformes tão ruins. Sim, parece um tokusatsu Other Heroes, mas lembremos, é uma aposta trazer a Bandai of America pras decisões estéticas, então vejamos se isso irá vingar.

Uchuu Sentai Kyuranger estreia em 12 de fevereiro de 2017, pouco antes do novo filme de Power Rangers que chega às telas no dia 24 de março.

Eu gosto de panquecas. Temperadas com canela e JUSTIÇA!