Tag Along: Mais uma garota de vermelho

Utilizando-se do folclore local atrelado a uma boa dose de terror e suspense, The Tag Along, é um filme taiwanês que além de conseguir um resultado esplendoroso no box-office de seu país de origem chamou a atenção de outros olhos mundo afora.

Baseado em uma lenda taiwanesa, Tag Along segue um jovem, He Zhi-wei (River Huang), cujo a avó (Liu Yin-shang) desaparece misteriosamente enquanto perturbações inquietantes atormentam seu cotidiano. No entanto, ele mesmo desaparece pouco depois de sua avó reaparecer em casa, abalada e falando de uma entidade. Logo, sua namorada Shen Yi-chun (Hsu Wei-ning) que tem um relacionamento de idas e vindas com He Zhi-wei encontra-se desesperadamente à procura de respostas sobre o seu paradeiro e eventualmente vai de encontro ao que está causando este mal. Aqui, o elemento principal é um demônio, um ser sobrenatural das montanhas, conhecido por Moxin ou Mosien (魔神 仔) que sequestra humanos de suas casas. As descrições a respeito de suas formas e índole são sempre as mesmas,um ser sobrenatural, uma menina com um vestido vermelho que tira proveito da ganância e fraqueza dos seres humanos para atraí-los para as montanhas antes de plantá-los como espíritos/árvores na floresta.Para cada pessoa perdida encontrada, outra pessoa irá desaparecer como pagamento pela destruição das florestas.

O resto do filme gira em torno da dinâmica familiar e da vida do casal Yi-chun e Zhi-wei. O filme é em grande parte atraente sobre como ele aborda as ansiedades dos personagens sem totalmente resolvê-las. Os desempenhos, particularmente de Hsu Wei-ning (a.k.a Tiffany Hsu) e Liu Yin-shang são matizados, andando em uma corda bamba de emoções e perspectivas que só coalescem e caem em relevo no final do filme. A atuação de Liu Yin-shang é convincente com uma adequada pontuação, com suas notas assombrosas de melancolia e desvanecimento. Hsu sai um pouco de sua zona de conforto de dramas adocicados, trabalhando uma personagem conflitante que encara um mistério maior que sua compreensão mundana e é em parte eficaz.

Fazendo o uso equilibrado entre sustos clichês e ambiguidade e uma boa trilha de acompanhamento, o diretor estreante Wei-hao Cheng explora uma estória de assombração e o sobrenatural. Exatamente por estas razões é que o filme é persuasivo, nunca revelando todas as respostas e explicações por trás da assombração à mão, mas também confiando na audiência para tomar a direção que quiser. Em sua maior parte, Tag Along se preocupa com um terror sucinto, que acomoda-se em torno de seus sustos preparados e sets bem construídos. O diretor é paciente com os sustos mais fortes do filme injetando irregularidade suficiente na execução de uma ou outra cena, há quase uma “qualidade de pesadelo” que aumenta a tensão à medida que o filme anda. A ação acontece principalmente em ambientes fechados como apartamentos ou casas, onde as sombras se movem, os espíritos brotam dos cantos escuros acompanhados por um mix de som certeiro, se combinando para produzir um mal-estar palpável.

Além disso, Cheng coloca suas habilidades como um cineasta em grande uso, injetando em algumas tomadas, perspectivas abertas em cenas que poderiam tradicionalmente ser feitas com um steady-shot. A arte do cinema de terror reside na definição do espaço de tela, de modo que o público é levado a olhar para além do primeiro plano para o que poderia estar pulando do vazio. O diretor até faz isso mas não vai além. No entanto, ele transita entre terror e elementos fantásticos e bestiais de forma experimental exemplar. Cheio de enigmas filosóficos e repleto de absurdos e fatalismo, o filme induz a trocas, e elas provam ser intrigantes e desconcertantes à medida que a fantasia e a realidade se sobrepõem.

É mais fácil enxergar o filme como uma resposta à taiwanesa para O Grito (Japão) e A Tale of Two Sisters (Coréia). E uma lembrança da época nostálgica dos anos 90 e início de 2000, em que o terror asiático era uma febre. O sucesso dos filmes mencionados e outros como O Chamado, The Eye, One Missed Call levou a um dilúvio de esforços semelhantes, mas o interesse por remakes foi diminuindo gradativamente, e enquanto os cineastas asiáticos continuaram a entregar filmes de terror, os bons tornaram-se a minoria em meio a um mar de idéias clonadas.

Tag Along não tem uma idéia inovadora mas é melhor que os recentes filmes ocidentais do mesmo gênero. O filme é fascinante esporadicamente, mas o momento em que o interesse emerge é tarde demais, e dado o quanto o filme gasta de seu tempo formando o que queria ser, ele acaba por ficar sem propósito, construindo uma revelação de último ato que afeta uma montagem prolongada e confusa. Construído em momentos interessantes para chegar a uma seqüência climática ridiculamente rebuscada, há muito mais que poderia ser feito com uma premissa como esta e a direção em que o diretor escolheu ir a fim de manter fluidez é admirável, mas, infelizmente, não é suficiente para salvar o produto.

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J.J. Mann
No Loly, cobre cinema asiático com ênfase na Coréia. É também um super entusiasta da história do país, com uma obsessão que vai um pouco longe demais. No Twitter, é responsável pelo perfil de paródia do eterno líder, Kim il-Sung. 언플장난아니야!